Invasões de Verão

Antes de mais tenho que esclarecer uma coisa: não tenho nada contra emigrantes. Acho louvável que as pessoas procurem emprego noutro lado, em vez de ficarem a viver às custas dos outros, sejam eles pais, amigos ou todos nós, que descontamos impostos para subsídios de todos os tipos e feitios, que em muitos casos, só suportam vícios.

Dito isto vou directo ao assunto.

Todos os anos assistimos, aqui no Norte Litoral, a uma “invasão” dos famosos avecs. Quem são eles? São os emigrantes que regressam a casa durante o período de Verão, juntamente com os seus carros de alta cilindrada que, apesar das criaturas berrarem aos sete ventos que são os donos deles, são alugados em empresas que se dedicam a explorar este filão de “Portugueses que gostam de tentar ser mais do que aquilo que realmente são”. Pior que isso, é o facto de 90% destes carros, ao acelerar, fazerem mais barulho que o Manuel Serrão quando se exalta a defender o seu precioso clube e ainda terem o auto-rádio a tocar Despacito, Caribe Mix Tropical Calipo sabor limão ou Tony Carreira, num nível de volume tal, que consegue abafar o som do mar a bater nas rochas na altura das marés-vivas.

E quando o bando decide abandonar as viaturas para ir enfardar num restaurante? Quero dizer, enfardar não é bem o termo, pois geralmente, uma família de 10 pessoas, pede duas sopas (com 10 colheres), dois frangos, uma garrafa de água de 1,5L e 4 cafés (que depois dividem). E coitado do dono do restaurante que se atreva a fazer algum comentário, pois começam logo levantar o tom de voz numa linguagem que mais ninguém percebe (uma espécie de Português do novo Acordo Ortográfico mas ainda pior, misturado com um Francês menos perceptível que o falado pelo Mário Soares) e a exigir o livro de reclamações pois o dono do restaurante está armado em capitalista, por querer ganhar dinheiro para alimentar a família dele.

E nós, os habitantes destas cidades? Como podemos reclamar destas criaturas que destroem o nosso delicado ecossistema? Como nos podemos insurgir contra pessoas que vomitam frases do tipo “Jean-Pierre, vien ici imediatamente” ou “Vien ici senão o teu pápá vai aí e fod*-te o corpo” ?

Desculpem o desabafo, mas já são muitos anos a ter que aturar isto.

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